06 de Setembro, 2016

A GRANDE LUZ DO SÉCULO XX

A GRANDE LUZ DO SÉCULO XX
Por Maria do Carmo França
Médica

Nos meados do século passado a humanidade teve a honra de ter convivido nesse planeta com um homem espetacular, que veio para nos trazer um grande Raio de Luz, e assim aclarar a ciência e lançar as bases para a era atômica. Foi ele tão genial e enigmático que muitos o admiraram, mas poucos conseguiram compreendê-lo. Ele nasceu no dia 14 de março de 1879, em uma pequena cidade alemã chamada ULM e seus pais foram Herman Einstein e Pauline Koch, que eram judeus. Dizem os biógrafos que o caráter e a biblioteca do pai foram importantes na formação do filho a quem deram o nome de Albert. Sim. Albert Einstein. Quando menino, Albert teve dificuldades para se expressar através da fala e era lento no aprendizado escolar, o que deixava seus pais preocupados, pois não se destacava com boas notas na escola. Aos 4 para 5 anos ganhou de seu pai uma bússola. O funcionamento daquele aparelho o fez pensar que deveria existir algo oculto por detrás das coisas. Ele adorava aquele seu pequeno Deus magnético. Já aos 9 anos se interessava por geometria e álgebra e aos 12 era um gênio da matemática. Começou ainda criança o estudo de música. Tocava violino. Outro assombro foi aos 12 anos, com um livro de geometria plana que lhe veio às mãos. Depois de ler o livro ele conseguiu demonstrar o teorema de Pitágoras, o que lhe pareceu ser algo tão evidente.

Albert Einstein, judeu, foi aluno na infância de uma escola católica em Munique. O jovem Einstein sempre questionava o pai, o professor e colegas sobre Deus e a origem do Universo, sem ter respostas satisfatórias. Quando leu o escritor Espinoza que dizia “Deus é a Alma do Universo”, ficou com essa frase marcada em sua memória, que o fez lembrar de sua pequena bússola da infância. A partir daí, Einstein só procurou Deus na natureza e não em livros humanos. Deus era a Lei e a Voz da Natureza. Decidiu-se aprofundar nos conhecimentos da Física e da Natureza e viu na matemática o caminho para isso, pois segundo Einstein o princípio Criador do Universo reside na matemática. Na matemática é que Einstein viu a certeza absoluta, onde só se conhece o sim e não um talvez. Terminou a escola secundária em 1896 e aos 17 anos ele recusou a cidadania Alemã, tendo sido um cidadão sem Pátria por alguns anos, até que em 1901 obteve a cidadania Suíça. Cursou matemática e Física na Escola Politécnica de Zurique, onde se graduou em 1900, aos 21 anos, com as mais altas notas.

Em 1901 escreveu seu primeiro artigo científico: “A investigação do estado do éter em campo magnético”. Escreveu livros: “Por que a guerra” (1933); “O mundo como eu o vejo” (1949); “Meus últimos anos” (1950).

Doutorou-se em Munique em 1905, ano em que publicou um trabalho de eletrodinâmica, as dimensões moleculares, equivalência entre massa inerte e a energia, o fenômeno fotoelétrico e os primeiros esboços sobre a teoria da Relatividade que anunciava o fato do movimento ser relativo aos corpos no espaço. Posteriormente, investigou massa e energia, reduzindo ambas a uma equação conhecida pela fórmula E = m?c2.

Entre os anos de 1902 e 1909 trabalhou em um escritório de patentes em Berna, antes de incorporar-se no ensino Universitário.

Em 1909 começou a trabalhar como professor da Universidade de Zurique, depois lecionou em Praga e Berlim. Em 1912 ocupou a cadeira de Física da Escola Politécnica Federal da Suíça. Em 1914 foi nomeado professor da Academia Prussiana de Ciência e diretor do Kaiser Wilhelm Institut. Em 1915 completou e enunciou a sua Teoria da Relatividade.

Em 1921 recebeu o prêmio Nobel de Física. Em 1933 renunciou a seus cargos em Berlim e foi para os Estados Unidos da América, onde ingressou no Instituto de Estudos Avançados de Princeton. Em 1940 ganhou a cidadania Americana.

Einstein afirmava que a intuição é a fonte das grandes descobertas e que o princípio básico de toda a ciência era a priori-dedutiva e não a posteriori-indutiva. Isso significa que o homem deve focar na Causa e daí partir para os Efeitos. Afirmava que o mundo do UNO, da Causa, do Valor, da Realidade é revelado ao homem quando ele está em condições de receber essa Revelação. Dizia: “Eu penso 99 vezes e nada descubro, deixo de pensar e mergulho no silêncio e eis que a Verdade me é revelada.” Não existe caminho lógico para o descobrimento das Leis elementares. O único caminho é o da intuição.

Einstein veio ao mundo para mudar paradigmas e principalmente para recolocar Deus na Ciência. Para Isaac Newton, nosso Universo era uma grande máquina cujo maquinista seria o sol. Já Einstein considera o Universo um Grande Pensamento, Onipresente. Seria como uma Cosmocracia, cujo monarca está presente em toda parte. Deus é a Lei e o Legislador; sendo ele a própria Consciência Cósmica. Cada célula, cada átomo é uma entidade autônoma, uma autarquia cujo governo reside dentro dessa própria entidade. Também contrariou Newton ao mostrar que não existe tempo absoluto. Segundo a Relatividade, não podemos saber como é o mundo, só podemos comparar nossa própria visão com as dos outros.

Einstein tinha sempre respostas inesperadas para as perguntas. Certa vez lhe perguntaram onde era seu laboratório, ele tirou do bolso uma caneta e respondeu: “Aqui”.

Einstein viveu 22 anos nos Estados Unidos. Foi professor na Universidade de Princeton, onde lecionava matemática. Teve como amigo e colaborador, Robert Oppenheimer. Einstein era um homem tão modesto que ao chegar a Princeton, seus diretores o inquiriram qual seria sua pretensão salarial. Ele lhes respondeu que lhes enviaria uma carta. Ao receber essa carta os Diretores declararam que a Universidade ficaria desmoralizada se lhe pagasse tão baixo salário e triplicaram o valor.

Em Princeton, Einstein vivia no Campus da Universidade, em um modesto sobrado e todas as manhãs caminhava de sua casa até o Instituto de Estudos Avançados, onde se encontrava com Oppenheimer, Fermi, Bohr, Von Braun, Meitner e outros cientistas. Einstein era um homem sem vaidades. Ele mesmo se declarou um solitário e que gostava dessa solidão. Temos em mente suas fotos em várias publicações: Seus cabelos sempre desalinhados, bigode vasto e branco como sua cabeleira, roupas sem luxo e um olhar sempre enigmático. Parecia um homem que pisava a terra, estando seu coração, segundo suas declarações, em sua família, seus amigos e na humanidade; mas, sua mente estava no Cosmos ou quem sabe no centro invisível de um átomo. Era tão dedicado aos estudos que se trancava em seu escritório por dias e dava ordens expressas que não o perturbassem. Sua esposa apenas colocava seu prato com comida no chão, por fora da porta. Por falar em família, em esposa; Einstein foi casado com Mileva com quem teve 3 filhos: Lieserl, que morreu ainda criança, Hans Albert que foi professor de hidráulica e Eduard, formado em música e literatura. Em 1919 Einstein separou-se de Mileva e casou-se com sua prima Eliza. Sim. Aquele homem gênio tinha muito apresso pelo ser humano e muita sensibilidade. Contam as suas biografias que quando uma parenta sua adoeceu permanecendo por dias em coma, Albert Einstein sentou-se ao lado do leito e tocou violino. Questionaram sua atitude dizendo que a paciente estando em coma não ouviria sua música ao que ele retrucou dizendo: “Tenho certeza de que ela escuta”.

Em 1945 Einstein visitou o Brasil e foi recebido pelo então presidente Artur Bernardes. Fez aqui conferências e visitou Institutos.

Einstein viveu na época da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética e sempre se declarou contra a violência e contra qualquer tipo de guerra. Era um homem pacífico e embora não professasse nenhuma religião, se dizia um homem profundamente religioso. Tinha um grande Espírito de solidariedade Universal, um desprendimento dos bens materiais terrenos e uma grande fraternidade, independente de raça, classe ou crença. Era um grande admirador de Mahatma Gandhi e sobre ele escreveu: “Futuras gerações dificilmente acreditarão que um homem como Mahatma Gandhi tenha passado pela face da terra, em carne e osso”.

Pendiam na parede do gabinete de Einstein os retratos de Newton, Maxuell e Gandhi, a quem ele chamava “O maior homem de nosso tempo”.

Com suas teorias científicas, inovadoras Einstein nos convida a aceitar que o espaço é curvo, que a menor distância entre dois pontos não é uma reta, que o Universo é finito e relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte. Que as medidas de tamanho variam com a velocidade, que o Universo tem forma cilíndrica e não esférica, que um corpo em movimento diminui de volume, mas aumenta a sua massa dependendo de sua velocidade e que uma quarta dimensão, o tempo, é acrescida às três dimensões conhecidas de comprimento, largura e espessura. Informações incompreensíveis para nós mortais e também para muitos cientistas. Palavras de Max Plank: “Enquanto a humanidade não entrar em uma zona de Cosmo-consciência, não haverá uma Verdadeira compreensão da mentalidade de Einstein”.

O que se pode dizer de Albert Einstein? Um talento analítico, um gênio intuitivo que possuía uma intuição cósmica. Parece que o gênio é invadido pela Consciência Cósmica. Mas, Einstein não se considerava um gênio ou um homem excepcional, estava apenas se identificando totalmente com esta Verdade da Física que outros não perceberam.

Uma semana antes de sua morte, enviou uma carta a Bertrand Russell concordando que seu nome fosse incluído numa petição exortando todas as Nações a abandonarem as armas nucleares. Faleceu aos 76 anos, em 18 de Abril de 1955, em Princeton, Nova Jersey, EUA. Seu corpo foi cremado.
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